home
historico
especialidades e funcionamento
fisioterapia
artigos
localizacao

Artigos para Leitura

BURSITE

É um termo que era conhecido no passado quando uma pessoa era portadora de dor no ombro de origem inflamatória. Na época, supunha-se que a dor no ombro era causada pela inflamação de uma estrutura chamada bursa ou bolsa, daí a denominação de bursite ao processo inflamatório que atingia esta estrutura. No entanto, temos esta estrutura em outros locais de nosso corpo, como quadril, cotovelo, etc. e que podem também inflamar e causar bursite nestes vários locais. Portanto, bursite não é afecção exclusiva do ombro. O tratamento de eleição na época era injetar cortisona nesta bolsa para acabar com a inflamação, as tão conhecidas e dolorosas “infiltrações” na tentativa de acabar com a dor e a moléstia. Durante muitos anos aceitou-se esta teoria assim como seu óbvio tratamento. Com o correr dos anos, verificou-se que este tratamento era provisório e a dor voltava e algumas vezes com algumas complicações. Muitos estudos foram feitos à este respeito e aos poucos chegou-se à conclusão que na verdade a dor no ombro, que era atribuída à inflamação da bursa (bursite), tinha uma causa bem mais complexa e que envolvia outras estruturas, tais como a forma e a estrutura dos ossos do ombro, ligamentos locais, tendões, etc. Uma alteração nestas estruturas ou seu mal uso, poderiam causar inflamação nos tendões, bursas e mesmo rupturas de estruturas que envolviam o ombro. Hoje, sabemos que a inflamação da bursa é apenas uma das estruturas atingidas nesta afecção, e portanto não adianta fazermos infiltração na esperança de cura desta moléstia. È ainda motivo de estudo sua causa e tratamento, tendo sido desenvolvida várias técnicas cirúrgicas nestes últimos anos e que estão cada vez mais sofisticadas e menos agressivas, como a vídeo-artroscopia que hoje está sendo bastante usada, semelhante à técnica que é feita no joelho para tratamento de rupturas de meniscos e ligamentos ou mesmo cirurgias abdominais. Em lugar do termo bursite, que obviamente não condiz com os conhecimentos atuais, alguns preferem, quando ainda não se determinou a causa, o termo “Ombro doloroso” que englobaria várias causas desta afecção, como as chamadas peritendinites calcárea (conhecidas popularmente como calcificação no ombro), a síndrome do impacto em seus vários graus, que vai desde uma simples tendinite, até a ruptura total do chamado manguito rotador do ombro ou mesmo dor no ombro em que o paciente vai perdendo os movimentos chegando mesmo a uma rigidez desta articulação, a chamada “capsulite adesiva de ombro”.
Quanto ao tratamento, costumamos iniciar com tratamento clínico, chamado de “tratamento conservador”, que consistem em prescrevermos uma medicação adequada, fisioterapia baseada principalmente na eletroterapia, alguns cuidados especiais como o posicionamento e movimentação do ombro e exercícios específicos para correção do desequilíbrio muscular do manguito rotador ou mesmo em alguns casos muito específicos as infiltrações. Caso este tratamento não tenha um bom resultado será indicada cirurgia, de preferência por vídeo-artroscopia, que é a técnica que é feita com “furos” no ombro e operamos por intermédio de uma óptica especial, televisão e materiais que são próprios para tal procedimento, inclusive sutura da rotura deste manguito, correção de instabilidades (luxações recidivantes) etc. Por outro lado, existem alguns casos em que tanto pelo grau de comprometimento do ombro como pela idade, condições físicas e profissão de nosso paciente, está indicado tratamento cirúrgico precoce ou então puramente conservador. Como em qualquer parte da medicina, “não há um divisor de águas nítido”, na indicação de um tratamento cirúrgico e um tratamento conservador, valendo a experiência , a vivência e o conhecimento do Ortopedista.
Em resumo, podemos dizer que este tipo de afecção tem uma etiologia complexa e múltipla, entrando em jogo múltiplos fatores, dentre os quais a presença de osteófitos da articulação acrômio-clavicular, o esporão do acrômio, a forma do próprio acrômio, desequilíbrio muscular, etc. Estas estruturas que estão alteradas, assim como o excesso ou o mal uso do ombro, podem causar inflamações e mesmo rupturas de várias estruturas além da bursa, tais como o tendão longo do bíceps, manguito rotador, etc. causando dor, em geral referida como uma dor que começa no ombro irradiando-se para braço ou mesmo aparecendo apenas no braço, piorando com os movimentos e melhorando com o repouso. Às vezes predomina a dor após deitarmos melhorando durante o dia, outras apenas ao fazer movimentos com o ombro. Esta dor poderá levar também a uma limitação de movimentos do ombro, isto é, perder alguns movimentos,o que dificulta mais seu tratamento.
Para se fazer um tratamento adequado é preciso um diagnostico correto e portanto saber qual a estrutura atingida e se possível sua causa. Para tanto, após a entrevista com nosso paciente e um exame físico adequado fazemos alguns exames, dentre eles as radiografias, a ultra-sonografia e se necessário a ressonância magnética para podermos determinar que estrutura está alterada e desta forma fazermos um tratamento correto. Como dissemos acima, existem condições em que somente a cirurgia poderá resolver este problema e infelizmente, como em qualquer campo da medicina, há casos que pouco podemos fazer pelo nosso paciente. Como sempre afirmamos em Medicina, “cada caso é um caso”, não havendo um tratamento “padrão” para o mesmo e assim cada paciente terá um tratamento adequado para seu ombro. O fundamental é que procure seu ortopedista o mais breve possível do início da moléstia, pois no início tudo é mais fácil e mais rápido e com melhor resultado.

Ortoclinica (14) 3223-4182 / 3223-4641 / (14) 3223-4666, [FAX:(14) 3223-4751], Rua Rio Branco, 15-45, 17015-311